Este texto trata da segmentectomia hepática (remoção de um segmento do fígado). O mesmo termo também é usado em cirurgia torácica, para a remoção de um segmento do pulmão — um procedimento diferente, fora do escopo desta página.
O que é
Segmentectomia hepática é a remoção cirúrgica de um único segmento do fígado — a menor unidade anatômica independente do órgão, com sua própria irrigação e drenagem biliar (classificação de Couinaud, que divide o fígado em 8 segmentos). É a ressecção hepática mais limitada entre as descritas nesta série, o que a torna a opção que mais preserva tecido hepático saudável quando o tumor permite essa abordagem.
Indicações
É indicada em tumores hepáticos pequenos e bem localizados dentro de um único segmento — primários (como o carcinoma hepatocelular) ou metastáticos —, especialmente quando preservar o máximo de parênquima hepático saudável é importante, como em pacientes com função hepática já reduzida por outras condições (cirrose, por exemplo) ou com múltiplos tumores que exigirão mais de uma ressecção ao longo do tempo.
Técnica cirúrgica
- Identificação intraoperatória do segmento: o cirurgião localiza os limites vasculares do segmento a ser removido, frequentemente com auxílio de ultrassonografia intraoperatória, garantindo que a ressecção siga exatamente os planos anatômicos daquele segmento.
- Vídeo-laparoscópica e robótica: a segmentectomia é um dos procedimentos hepáticos mais adequados à via minimamente invasiva, já que envolve uma área menor de dissecção — muitos centros já a realizam preferencialmente por essas vias.
- Aberta: ainda indicada quando a localização do segmento é de difícil acesso minimamente invasivo (próxima a grandes vasos, por exemplo) ou quando há necessidade de ressecções combinadas.
- O princípio de cirurgia poupadora de parênquima (remover só o necessário, preservando o restante do fígado saudável) é o que diferencia a segmentectomia de ressecções mais extensas como a lobectomia ou a trissegmentectomia.
Recuperação e cuidados pós-operatórios
Por ser uma ressecção mais limitada, a recuperação costuma ser mais rápida do que em ressecções hepáticas maiores — internação mais curta e menor impacto na função hepática global, já que uma proporção menor do órgão é removida.
Riscos e considerações
Os riscos incluem sangramento, fístula biliar e infecção — em geral com menor probabilidade e menor gravidade do que em ressecções hepáticas mais extensas, dado o menor volume de parênquima envolvido. A escolha entre segmentectomia e uma ressecção mais ampla (lobectomia, trissegmentectomia) depende do tamanho, número e localização exata do(s) tumor(es), sempre avaliados em conjunto com a reserva funcional do fígado do paciente.
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