O que é
Laparotomia é a via de acesso cirúrgica aberta à cavidade abdominal, feita por uma incisão na parede do abdome. Diferente de procedimentos como gastrectomia ou colectomia — que descrevem o que é removido — a laparotomia descreve como se chega até o órgão a ser tratado. É a via de acesso clássica, presente desde os primórdios da cirurgia abdominal, e continua sendo a escolha adequada em muitas situações mesmo com o avanço das técnicas minimamente invasivas.
Indicações
Em oncologia, a laparotomia é indicada quando o acesso minimamente invasivo (vídeo ou robótico) não oferece segurança ou visualização adequada para o caso — tumores muito volumosos, aderências extensas de cirurgias prévias, necessidade de ressecções múltiplas e complexas no mesmo tempo cirúrgico, ou sangramento importante que exija controle rápido e direto. Também é usada em caráter exploratório, quando o diagnóstico exato só pode ser confirmado com a visualização direta da cavidade.
Técnica cirúrgica
- Incisão mediana: a mais comum em cirurgia oncológica abdominal, no meio do abdome, permite ampliação para cima ou para baixo conforme a necessidade de exposição.
- Incisões transversas ou subcostais: usadas quando o alvo cirúrgico está concentrado em uma região específica (por exemplo, acesso ao andar superior do abdome).
- Após a abertura da parede abdominal, o cirurgião explora a cavidade, confirma achados de imagem prévios e realiza o procedimento planejado — que pode ser desde uma ressecção única até múltiplas ressecções combinadas.
Recuperação e cuidados pós-operatórios
Por envolver uma incisão maior, a recuperação da laparotomia costuma ser mais lenta que a de acessos minimamente invasivos: internação mais prolongada, retorno mais gradual à movimentação e restrição de esforço físico por várias semanas para permitir a cicatrização adequada da parede abdominal. Mobilização precoce (dentro do possível) e fisioterapia respiratória ajudam a reduzir complicações pulmonares no pós-operatório.
Riscos e considerações
Os principais riscos incluem infecção de ferida operatória, formação de hérnia incisional a médio/longo prazo, sangramento e, como em qualquer cirurgia abdominal maior, eventos tromboembólicos. A escolha entre via aberta e minimamente invasiva não é uma questão de “melhor ou pior” de forma geral — é uma decisão técnica caso a caso, priorizando sempre a segurança e a ressecção oncológica completa.
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