O que é
Gastrectomia é a remoção cirúrgica de parte ou de todo o estômago, seguida da reconstrução do trânsito digestivo — restabelecendo a conexão entre o esôfago (ou a parte remanescente do estômago) e o intestino delgado.
Indicações
A principal indicação oncológica é o câncer de estômago. A localização e a extensão do tumor no órgão são o que definem se a ressecção será parcial ou total, sempre buscando margens cirúrgicas livres de doença.
Parcial vs. total
- Gastrectomia subtotal (parcial): remove a porção do estômago onde está o tumor, preservando uma parte do órgão — indicada quando o tumor está localizado na porção distal (mais próxima ao intestino) com margem de segurança adequada.
- Gastrectomia total: remoção completa do estômago, indicada em tumores localizados na porção proximal (mais próxima ao esôfago) ou que acometem extensamente o órgão.
- Em ambos os casos, a reconstrução do trânsito costuma ser feita em Y de Roux, conectando o intestino delgado diretamente ao esôfago (gastrectomia total) ou ao remanescente gástrico (gastrectomia subtotal).
Técnica cirúrgica
- Aberta (laparotomia): ainda comum em tumores mais avançados ou que exigem linfadenectomia mais extensa.
- Vídeo-laparoscópica: cada vez mais utilizada, com os mesmos princípios oncológicos da cirurgia aberta, associada a menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida em casos selecionados.
- Robótica: oferece maior precisão na dissecção linfonodal ao redor do estômago e na confecção das anastomoses (reconexões), particularmente útil em casos tecnicamente mais desafiadores.
- Em todos os casos, a linfadenectomia (remoção dos linfonodos regionais ao estômago) é parte essencial do procedimento, não um complemento opcional — é o que permite o estadiamento correto da doença.
Recuperação e cuidados pós-operatórios
A dieta é reintroduzida de forma gradual e orientada por nutricionista, começando por líquidos até a confirmação de que a nova conexão cirúrgica está cicatrizando bem. É comum a necessidade de reeducação alimentar a longo prazo — refeições menores e mais frequentes —, já que o novo trânsito digestivo funciona de forma diferente do estômago original.
Riscos e considerações
Os riscos incluem fístula na anastomose, sangramento, infecção e, a longo prazo, deficiências nutricionais (como vitamina B12 e ferro) que exigem acompanhamento e reposição contínuos, especialmente após gastrectomia total. O acompanhamento nutricional no pós-operatório é parte integrante do tratamento, não um cuidado à parte.
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