Melanoma: diagnóstico e tratamento cirúrgico


O melanoma é um tema que sempre me chama atenção pela intensidade dos seus impactos e pela urgência do diagnóstico precoce. Precisamos falar sobre riscos, sinais, escolhas e caminhos que podem salvar vidas. Vamos abordar desde a prevenção até o acompanhamento pós-tratamento, trazendo dados atuais, orientações práticas e explicando os procedimentos cirúrgicos.
Este subtipo de câncer de pele é originado nos melanócitos, que são células responsáveis pela coloração natural da pele, olhos e pelos. Em condições normais, esses melanócitos estão distribuídos na camada basal da epiderme. No entanto, algumas alterações genéticas, muitas vezes impulsionadas por fatores ambientais e predisposição, fazem essas células crescerem de forma desordenada, formando lesões pigmentadas que podem invadir tecidos adjacentes e dar início a metástases. Entre os tumores cutâneos, é aquele que mais preocupa devido ao seu potencial de agressividade e capacidade de se espalhar rapidamente, principalmente quando comparado a outras formas, como o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. Melanoma é um câncer de pele agressivo, originado nos melanócitos, com grande capacidade de invasão e metástase precoce se não reconhecido e tratado a tempo.
Estima-se, de acordo com dados do Ministério da Saúde, que, em 2020, o Brasil registrou 8.450 novos casos desse tipo de câncer (4.200 em homens e 4.250 em mulheres), além de 1.978 mortes no ano anterior. Os números refletem um desafio de saúde pública com necessidade urgente de conscientização. Os principais fatores de risco são:
A prevenção é uma combinação de mudança de hábitos, proteção e vigilância constante com autoexame e consultas regulares. Reforço sempre para os pacientes:
Prevenção é proteção. Proteger-se do sol é proteger a própria vida.
Muitas vezes encontro pacientes inseguros sobre quando procurar avaliação médica para pintas ou manchas. Minha dica principal é observar alterações recentes, principalmente em pintas antigas ou surgimento de novas lesões pigmentadas. O método mais simples, e que ensino frequentemente, é o ABCDE:
O exame clínico sempre é o primeiro passo. A inspeção minuciosa da pele, muitas vezes com uso de dermatoscópio (aparelho que amplia e ilumina a lesão), permite avaliar características que sugerem malignidade. Quando há dúvida, costumo indicar a biópsia, que nos dá a confirmação definitiva do tipo de células envolvidas.

Logo após a confirmação histológica, entro em outra fase essencial do atendimento: o estadiamento, o qual é baseado principalmente em três aspectos:
O tratamento é individualizado, considerando detalhes clínicos, localização e estágio. Entre todas as opções, a cirurgia ocupa papel central, especialmente nas fases iniciais. Explico a seguir os caminhos mais comuns que acompanhei na rotina oncológica.
Este costuma ser o primeiro e principal tratamento. A excisão é feita com margens de segurança, que variam conforme a espessura tumoral:
Existem situações em que a doença se manifesta de forma avançada, com sangramento, obstrução, dor intensa ou perfurações. Nesses cenários, a cirurgia pode ser indicada como medida paliativa, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e permitir continuidade de outros tratamentos.
Às vezes, controlar sintomas é tão importante quanto buscar a cura.
Com o avanço dos estudos, a abordagem cirúrgica passou a ser frequentemente complementada por outros tratamentos:

Depois da cirurgia e, quando necessário, de tratamentos complementares, costumo orientar o paciente sobre a importância do seguimento rigoroso. O objetivo é monitorar possíveis recidivas e identificar sinais precoces de retorno da doença. Pesquisas do INCA apontam que recidivas costumam surgir, em sua maioria, nos primeiros três anos após o tratamento inicial.

Acompanhamento contínuo é sinônimo de segurança na jornada do paciente oncológico.
Apesar de menos comuns, os melanomas acral (sola dos pés, palmas das mãos e região subungueal) e mucosos (boca, trato geniturinário) são desafiadores. Apresentam diagnóstico muitas vezes tardio, já que surgem em regiões menos visíveis e podem simular doenças benignas. Essas variantes também tendem a ser biologicamente mais agressivas, exigindo abordagem cirúrgica ampla e vigilância intensa. Estudo do INCA, com mais de 150 casos de melanoma acral, mostrou taxas de recorrência próximas a 28% em cinco anos, reforçando por que insisto tanto em exames detalhados também nas “áreas escondidas” do corpo.
Muito do sucesso no combate ao melanoma reside nas campanhas educativas e no acesso à informação de qualidade. Projetos de conscientização, como a campanha do “Dezembro Laranja”, têm papel notório em alertar para a detecção precoce do câncer de pele, ensinando a população sobre os riscos e incentivando o autoexame regular. Recomendo a leitura do conteúdo detalhado disponível sobre sinais, tipos e como se proteger. Orientar familiares e amigos, multiplicar informação em comunidades e escolas e incentivar visitas regulares ao dermatologista são, na minha opinião, formas eficazes de mudarmos a realidade do diagnóstico tardio.
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