Linfoma e o papel da cirurgia no diagnóstico


O dia 15 de setembro marca o Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas, uma data de extrema importância para disseminar informações corretas sobre esse tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Como cirurgiã oncológica, recebo frequentemente no meu consultório pacientes preocupados com o surgimento de “ínguas” ou caroços pelo corpo. Por isso, considero essencial explicar qual é o real papel da cirurgia nessa jornada, desmistificando o caminho do diagnóstico ao tratamento.
O linfoma é um câncer que se origina nos linfonodos (ou gânglios linfáticos), que fazem parte do nosso sistema de defesa. Existem diversos tipos de linfomas, sendo os principais o linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin. Os sintomas mais comuns costumam incluir o aumento indolor dos linfonodos (especialmente no pescoço, axilas ou virilha), febre inexplicável, suores noturnos intensos, perda de peso sem motivo aparente e fadiga extrema.
Costumo orientar meus pacientes que a presença de um linfonodo aumentado nem sempre significa câncer; na maioria das vezes, trata-se de uma resposta infecciosa ou inflamatória do organismo. No entanto, a persistência desse aumento por mais de algumas semanas exige uma investigação médica minuciosa.
Uma dúvida muito comum que esclareço no consultório é sobre quem realmente trata o linfoma. É fundamental destacar que o tratamento principal do linfoma não é cirúrgico. Por ser uma doença sistêmica, que afeta o sistema linfático como um todo, o tratamento definitivo é conduzido pelo hematologista ou pelo oncologista clínico, utilizando quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia.
Então, onde entra a minha atuação como cirurgiã oncológica? O meu papel é crucial na etapa inicial: o diagnóstico. Sem um diagnóstico preciso e detalhado do tipo exato de linfoma, o tratamento adequado não pode ser iniciado. É aqui que realizo os procedimentos cirúrgicos para a obtenção de amostras de tecidos.
Para confirmar a suspeita de linfoma, a biópsia do linfonodo alterado é o padrão-ouro. Na minha prática cirúrgica, priorizo sempre que possível a biópsia excisional, que consiste na remoção completa do linfonodo afetado.
“A biópsia por agulha pode não fornecer material suficiente para a análise detalhada que o hematologista precisa. Por isso, a remoção cirúrgica do linfonodo inteiro costuma ser o método mais seguro para um diagnóstico preciso.”
Esse procedimento cirúrgico costuma ser simples, realizado sob anestesia local e sedação ou anestesia geral, dependendo da localização do linfonodo (se está mais superficial ou profundo, como no abdômen ou tórax). Após a retirada, o material é enviado para análise patológica e imuno-histoquímica, exames que definirão o subtipo exato da doença.
O combate ao câncer é sempre um esforço coletivo. Após realizar a biópsia e obter o laudo anatomopatológico, encaminho o paciente imediatamente ao hematologista. Essa transição de cuidados deve ser rápida e humanizada.
Durante a minha formação e prática diária, aprendi que o acolhimento ao paciente nesse momento de incerteza faz toda a diferença. Algumas medidas importantes que indico durante esse processo de investigação incluem:
O Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas, celebrado em 15 de setembro, serve como um lembrete vital de que a informação salva vidas. Se você notar o surgimento de nódulos persistentes ou apresentar os sintomas descritos, não hesite em agendar uma consulta. O diagnóstico precoce continua sendo o melhor caminho para um tratamento de sucesso. Estou à disposição para ajudar na etapa diagnóstica e cirúrgica, garantindo um direcionamento seguro e acolhedor para a sua saúde.
Agende uma consulta com a Dra. Dayara Sales e receba uma avaliação especializada e humanizada, com um plano de cuidado individualizado.