Janeiro Branco: saúde mental e câncer


Escrever sobre Janeiro Branco e saúde mental no câncer me faz lembrar de muitas histórias que já acompanhei. Nem sempre as palavras chegam fáceis, mas a mensagem é clara: cuidar da mente é tão necessário quanto tratar o corpo, principalmente quando enfrentamos uma doença desafiadora como o câncer.
Janeiro Branco é uma campanha iniciada no Brasil em 2014 e que hoje tomou proporções globais. O objetivo dela é bem direto: promover a conscientização sobre saúde mental e emocional. Por que janeiro? Porque é um mês de novos recomeços. As pessoas refletem sobre o que passou e traçam metas e desejos para o futuro. É aquele clima de esperança no ar, perfeito para falar sobre autocuidado. A cada ano que passa, vejo mais importância nessa proposta, especialmente para quem enfrenta doenças graves. Durante o câncer, a saúde mental pode ser o maior desafio. Ter o psicológico abalado dificulta o engajamento no tratamento e pode aumentar sintomas físicos e emocionais. Por isso, o Janeiro Branco se conecta profundamente com quem está em tratamento oncológico ou acompanha alguém que passa por isso.
Receber um diagnóstico de câncer provoca um terremoto emocional. Esse momento costuma vir com um pacote de incertezas: escolhas difíceis sobre terapias, dúvidas quanto ao efeito dos medicamentos, medo de mudanças físicas, preocupação com os familiares, necessidade de reorganizar a rotina e a ameaça permanente de uma recidiva. Essa somatória cria angústia, ansiedade, tristeza, raiva e, por vezes, sintomas de depressão.
Cada pessoa lida com o câncer de um jeito único. Alguns choram. Outros se fecham. Uns buscam informação, outros preferem ouvir só o essencial. Não existe jeito certo ou errado de sentir, e o apoio psicológico faz toda a diferença para atravessar esse mar de emoções. Estudos mostram que os pacientes oncológicos frequentemente enfrentam sentimentos de angústia, medo, dor e incertezas, tornando o suporte psicológico indispensável.
Um acompanhamento psicológico, especialmente feito por um psico-oncologista, é um dos aliados mais fortes nessa jornada. O psicólogo atua junto ao paciente e à família, ajudando a enfrentar as incertezas, a angústia da finitude, o impacto de possíveis perdas e os desafios diários do tratamento.
Com base no que observei acompanhando pacientes e familiares, quero dividir algumas orientações simples, mas que podem transformar o dia a dia.

Me perguntam muito sobre “chances de cura”. Sempre explico que o prognóstico vai muito além dos números. Ele depende de:

Janeiro Branco é mais do que uma campanha: é um convite. Cuidar da saúde mental não tem hora, seja no início do tratamento, na espera de exames, na reabilitação, na fase de controle ou durante a vida livre do câncer.
Dicas de saúde mental são valiosas em todas as etapas do tratamento oncológico. Se há uma mensagem que eu gostaria que cada pessoa retivesse depois de tudo isso, é essa: investir em bem-estar psicológico é tão relevante quanto buscar o melhor tratamento físico. E janeiro é um ótimo momento para recomeçar, planejar e fortalecer a mente. Aproveite essa energia de mudança e olhe com carinho para aquilo que você sente. Seu corpo e sua vida agradecem. Pense nisso: cuidar do que sente é um passo possível, mesmo diante do incerto.
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