Dra. Dayara Sales em sala de cirurgia, revisando imagens de tomografia antes de iniciar a remoção de tumor

Introdução

O Dia Nacional do Cirurgião Oncológico, celebrado em 17 de julho, é uma oportunidade para refletir sobre a importância da cirurgia no tratamento do câncer. Como cirurgiã oncológica, vejo diariamente como a intervenção cirúrgica pode mudar o rumo da doença, oferecendo esperança e qualidade de vida aos pacientes. Neste artigo, compartilho um pouco da minha prática, dos desafios que enfrentamos e do impacto que essa data tem na conscientização da sociedade.

O papel da cirurgia oncológica

A cirurgia oncológica vai muito além da simples remoção de um tumor. Ela pode ser curativa, quando o objetivo é eliminar completamente a doença, ou citorredutora, quando buscamos reduzir a carga tumoral para melhorar a eficácia de outros tratamentos, como quimioterapia ou radioterapia. Utilizo técnicas avançadas, como a laparoscopia e a cirurgia robótica, que permitem incisões menores, menos dor pós‑operatória e recuperação mais rápida.

“A cirurgia é uma ferramenta fundamental, mas seu sucesso depende de um planejamento multidisciplinar cuidadoso e da parceria estreita com o paciente.”

Como celebro o dia na prática clínica

No dia 17 de julho, costumo dedicar um momento especial para conversar com meus pacientes sobre a importância da cirurgia no contexto do tratamento oncológico. Algumas ações que faço incluem:

  • Revisar o plano cirúrgico com a equipe multidisciplinar, garantindo que todas as opções foram avaliadas.
  • Realizar uma reunião de orientação com o paciente e seus familiares, explicando o procedimento, os riscos e os benefícios.
  • Compartilhar histórias de sucesso que ilustram como a cirurgia pode transformar a trajetória da doença.
  • Incentivar a adesão a programas de acompanhamento pós‑cirúrgico, fundamentais para a detecção precoce de recidivas.

Essas práticas ajudam a humanizar o processo e a reduzir a ansiedade que muitos pacientes sentem antes da intervenção.

Desafios e aprendizados

Embora a cirurgia oncológica ofereça grandes benefícios, também apresenta desafios complexos. Cada tumor tem características únicas – localização, tamanho, grau de invasão – que exigem um planejamento minucioso. Por exemplo, ao tratar tumores de mama, preciso avaliar a necessidade de preservação da mama ou de reconstrução imediata. Nos tumores do trato digestivo, a decisão entre ressecção aberta ou minimamente invasiva depende da extensão da doença e da condição geral do paciente.

Além disso, a cirurgia de linfonodos, como a biópsia do linfonodo sentinela, requer precisão para evitar complicações como linfedema. A experiência acumulada ao longo dos anos me ensinou a importância de:

  • Escutar atentamente as dúvidas do paciente, pois isso fortalece a confiança e melhora a aderência ao tratamento.
  • Manter-me atualizada sobre novas técnicas e protocolos, participando de congressos e cursos de especialização.
  • Trabalhar em equipe, integrando oncologistas, radiologistas e fisioterapeutas para um cuidado integral.

O impacto da conscientização

A data de 17 de julho serve para lembrar a sociedade que o diagnóstico precoce e o acesso a tratamento adequado são essenciais. Quando a população entende o papel da cirurgia, aumenta a procura por avaliação médica ao perceber alterações suspeitas. Também estimula políticas de saúde que garantam recursos para equipamentos avançados, como robótica, e para treinamento de profissionais.

Ao divulgar informações corretas, evitamos mitos – por exemplo, a ideia de que a cirurgia é sempre a única opção ou que garante cura em todos os casos. Cada decisão terapêutica deve ser individualizada, baseada no estágio da doença, nas condições clínicas do paciente e nas preferências pessoais.

Conclusão

O Dia Nacional do Cirurgião Oncológico nos convida a celebrar a ciência, a técnica e, sobretudo, o relacionamento de confiança entre médico e paciente. Cada cirurgia que realizo representa um compromisso com a vida, com a esperança e com o respeito à singularidade de cada pessoa que confia em mim. Continuarei aprimorando minhas habilidades e reforçando a importância da abordagem multidisciplinar, para que mais pacientes possam enfrentar o câncer com coragem e suporte adequado.

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